Imagine geleiras milenares deslizando entre montanhas nevadas, picos graníticos que desafiam o céu e lagos de um azul tão intenso que parecem pintados à mão. Bem-vindo à Patagônia — uma das regiões mais impressionantes do planeta, onde a natureza se mostra em sua forma mais pura e majestosa.
Percorrer a Patagônia em apenas 10 dias pode parecer desafiador, mas com um roteiro bem planejado, é possível conhecer o coração dessa região: El Calafate, El Chaltén (Argentina) e o Parque Nacional Torres del Paine (Chile) — três destinos que, juntos, oferecem geleiras, trilhas épicas, vida selvagem e paisagens de tirar o fôlego.
Neste artigo, vou te guiar dia a dia por um roteiro realista, seguro e repleto de experiências autênticas. Você vai descobrir o que fazer em cada local, como se deslocar entre cidades, onde se hospedar, dicas de alimentação e como respeitar esse frágil ecossistema. Tudo com base em experiências reais, conselhos de viajantes e informações atualizadas para 2025.
Se você sonha em explorar a Patagônia sem se perder em logísticas impossíveis, continue lendo — sua aventura começa aqui!
Dia 1–2: El Calafate – Porta de entrada para o gelo milenar
Sua jornada patagônica começa em El Calafate, uma charmosa cidade argentina às margens do Lago Argentino. Conhecida como a “capital do gelo”, é o ponto de partida perfeito para conhecer o Glaciar Perito Moreno — uma das maravilhas naturais mais impressionantes do mundo.
No primeiro dia, reserve para descansar da viagem, explorar o centro da cidade e provar o famoso helado de dulce de leche (sim, até no frio!). Recomendo caminhar pela Avenida Libertador, repleta de lojinhas de artesanato, cafés aconchegantes e restaurantes com cordeiro patagônico.
Já no segundo dia, dedique-se totalmente ao Parque Nacional Los Glaciares. O Perito Moreno fica a 80 km da cidade, e há várias opções de passeio:
- Visita clássica pelas passarelas (entrada comum, cerca de ARS 7.000 em 2025);
- Mini trekking sobre o glaciar (exige agendamento prévio e bom condicionamento físico);
- Navegação pelo braço Rico do lago, com vista frontal da geleira.
Dica prática: saia cedo! O sol da manhã ilumina o gelo de forma mágica, e os ônibus turísticos lotam a partir das 10h. Leve camadas de roupa, óculos de sol e protetor solar — o reflexo do gelo é intenso!
Além disso, o Museu do Gelo em El Calafate oferece uma imersão interativa na geologia glacial — ideal para entender o que você está vendo.
Dia 3–5: El Chaltén – A capital do trekking na Argentina

Do gelo às montanhas: no terceiro dia, pegue um ônibus matinal (4h de viagem) rumo a El Chaltén, a vila de montanha mais próxima do Fitz Roy, um dos ícones da escalada mundial. Aqui, tudo gira em torno do trekking, da natureza e do silêncio.
El Chaltén é 100% caminhável, sem trânsito de carros no centro, e oferece trilhas para todos os níveis. Nos dias 4 e 5, recomendo duas caminhadas essenciais:
- Laguna de los Tres (Fitz Roy) – 22 km ida e volta, cerca de 8h. É desafiadora, mas recompensadora: a vista do Fitz Roy refletido na lagoa é inesquecível.
- Laguna Torre – 18 km ida e volta, mais suave. Leva até o glaciar que desce do Cerro Torre, com paisagens abertas e ventos épicos.
Importante: as trilhas são bem sinalizadas, mas não há guias obrigatórios. Leve mapa, água, lanche e roupas impermeáveis — o tempo muda a cada 15 minutos!
Onde comer? Experimente o La Vinería, com massas caseiras e vinhos argentinos, ou o Cervecería Kün, que produz cerveja artesanal com água de degelo. E sim: é comum cozinhar no hostel — muitos viajantes levam macarrão e atum para economizar.
Dica de ouro: reserve hospedagem com antecedência. Apesar de pequena, El Chaltén enche rápido na alta temporada (novembro a março).
Dia 6–7: Travessia para o Chile – Entrando em Torres del Paine
No sexto dia, é hora de cruzar a fronteira. O trajeto El Chaltén → Torres del Paine leva cerca de 7 a 8 horas no total, com troca de ônibus em El Calafate e Puerto Natales (Chile).
Recomendo:
- Pegar ônibus cedo de El Chaltén para El Calafate (chegada por volta das 11h);
- Almoçar rapidamente;
- Pegar ônibus para Puerto Natales (3h);
- Passar a noite lá (hospedagem mais barata que dentro do parque).
No sétimo dia, de madrugada, pegue o ônibus do parque (Buses Paine) que sai de Puerto Natales e entra direto em Torres del Paine. A entrada custa cerca de CLP 25.000 (pago em espécie ou cartão), e o ônibus para nos principais refúgios.
Por que não dirigir? A estrada dentro do parque é de cascalho, com sinalização limitada. Ônibus regulares são mais seguros e econômicos — especialmente se você viaja sozinho ou em dupla.
Ao chegar, escolha um refúgio próximo ao setor norte (como Central ou Amarga) para facilitar o acesso à trilha das Torres no dia seguinte.
Dia 8–9: Torres del Paine – O coração da Patagônia chilena
Nos oitavo e nono dias, dedique-se ao Parque Nacional Torres del Paine, patrimônio da UNESCO e lar dos famosos Três Torres de granito.
A trilha mais icônica é a Base das Torres:
- 20 km ida e volta;
- Duração: 8 a 10 horas;
- Requer bom condicionamento e preparo mental (os últimos 400m são íngremes!).
Dica crucial: saia antes das 7h para evitar o vento forte da tarde e conseguir boas fotos na lagoa. Leve barras de cereal, água e roupas térmicas, mesmo que o dia comece ensolarado.
Além disso, não perca o Mirador Cuernos (mais curto, 2h ida e volta) ou o Lago Grey, onde é possível ver icebergs flutuando — há passeios de navegação que saem do refúgio Grey.
Onde se alimentar? Refúgios dentro do parque servem refeições completas (em torno de US$ 25–35), mas são caras. Leve comida desidratada ou snacks para economizar.
Respeite o ambiente: não saia das trilhas, não alimente animais e leve todo lixo de volta. Aqui, “deixe só pegadas” não é slogan — é obrigação.
Dia 10: Retorno com alma renovada

No último dia, dependendo do seu voo, você pode:
- Fazer uma caminhada leve pelo Lago Pehoé;
- Visitar o Centro de Visitantes para entender a história do parque e dos gaúchos patagônicos;
- Ou simplesmente sentar em silêncio diante das montanhas, absorvendo cada detalhe.
Em seguida, o ônibus o levará de volta a Puerto Natales, de onde você pode seguir para Punta Arenas (para voos internacionais) ou retornar à Argentina.
Observação logística: voos saindo de Punta Arenas para Santiago (e depois para o Brasil) são frequentes, mas reserve com antecedência — os preços sobem rápido.
Dicas Essenciais para uma Viagem Consciente e Segura
Antes de fechar, compartilho sete dicas práticas que fazem toda a diferença:
- Documentos: brasileiros precisam apenas de RG válido para entrar na Argentina e Chile (até 90 dias).
- Moeda: leve pesos argentinos e chilenos em espécie. Cartões funcionam em cidades, mas não nos refúgios remotos.
- Roupas: vista em camadas — fleece, corta-vento, calça impermeável e botas de trilha são essenciais.
- Seguro viagem: obrigatório para o Chile e altamente recomendado para a Argentina. Cobertura para trekking é crucial!
- Reservas: compre ingressos e ônibus com 1–2 meses de antecedência, especialmente na alta temporada.
- Sustentabilidade: use garrafa reutilizável, evite plásticos e respeite os horários de silêncio nos refúgios.
- Conexão: não há sinal de celular em grande parte do parque. Baixe mapas offline (Maps.me) e informe alguém sobre sua rota.
Conclusão: Uma viagem que transforma
Explorar a Patagônia em 10 dias é mais do que um roteiro — é uma imersão em grandiosidade, silêncio e resiliência. El Calafate te mostra o poder do gelo, El Chaltén revela a força das montanhas e Torres del Paine entrega uma lição de humildade diante da natureza.
Este roteiro equilibra logística, beleza e respeito pelo ambiente — perfeito para viajantes que buscam autenticidade sem abrir mão da segurança. E, acima de tudo, lembra que a melhor forma de viajar é com os olhos abertos e o coração em paz.
Se você está planejando sua primeira (ou próxima) viagem à Patagônia, não espere mais. O mundo lá fora — com suas geleiras, ventos e picos eternos — está te chamando.
E aí, qual parte da Patagônia mais te encantou? Já visitou algum desses destinos? Compartilhe sua experiência nos comentários ou use este guia para planejar sua própria aventura! 🌄🐾

Fernando Oliveira é um entusiasta por viagens e gastronomia, explorando novos destinos e restaurantes em busca de experiências únicas. Apaixonado por liberdade financeira e alto desempenho, ele alia disciplina e curiosidade para viver de forma plena, cultivando hábitos que impulsionam seu crescimento pessoal e profissional enquanto desfruta do melhor que o mundo tem a oferecer.






